Conheça a belíssima história de Ulisses Spagiari, apresentador do programa infantil “Tio Uli e os Bonecos”
“Não tinha aptidão para crianças, na verdade minha formação é em ciências contábeis. Trabalhei aproximadamente 20 anos na área financeira, contábil ou controladoria de empresas multinacionais. Tocava música clássica junto a minha esposa que é cantora lírica, então, sempre trabalhávamos com louvor na Igreja. Acreditava que esse era o meu ministério.
No entanto, comecei a perceber que as crianças da igreja não tinham muita assistência e também morava em um bairro onde muitas ficavam nas ruas sem nenhuma ocupação. Foi então, que notei que existia uma carência de pessoas que trabalhassem com o público infantil.
Com a percepção dessa necessidade pensei comigo: “Como vou evangelizar as crianças?” Tive algumas ideias em relacionar a música com o evangelismo infantil, mas no final decidi visitar lojas evangélicas e ver o que elas ofereciam como instrumento pedagógico. Em uma dessas visitas, encontrei um bonequinho tipo fantoche. Comprei meia dúzia e comecei a escrever histórias. Desde que tive o “chamado” vi que meu trabalho não era para crianças da Igreja, mas para aquelas que ainda não conheciam Jesus.
Por isso, trabalhava na favela, orfanato, hospital e em escolas. Minha história falava de Jesus, mas também falava de piolho, de sarna, porque trabalhava com a criançada das comunidades. Embora estivesse muito envolvido com os pequeninos, continuei minha vida como executivo.
O meu trabalho com as crianças começou a chamar atenção dos funcionários e amigos da empresa que trabalhava. Eram pessoas que tinham altos salários executivos, teoricamente, não eram cristãs e tinham o desejo de fazer alguma coisa em relação ao próximo. Percebendo o desejo deles em ajudar, conversei com o departamento pessoal da empresa e pedi para abrir um comitê. A intenção era criar campanhas de agasalho, entre outras, para dar oportunidade para os colegas de trabalho fazerem algo no tempo livre e se envolverem como voluntários.
Toda essa iniciativa provocou um volume tão grande de participação dos funcionários, que a empresa começou a ver a ação social como positiva e passou a participar ativamente nos projetos. Então, por exemplo, quando fazíamos uma campanha de inverno, a cada roupa usada doada pelos funcionários, a empresa apoiava com um cobertor novo. Conseguimos mais de 4500 cobertores, e assim como em outras iniciativas, a cada doação de um funcionário, a empresa fazia outra.
Todos esses projetos começaram a ter um “boom” na imprensa. Por causa, dessas ações envolvendo a empresa com a qual trabalhava, fui capa da Revista “Você s.a.”, “Exame”, entre outras. Lembro que dei entrevistas para mais de 40 jornais e revistas. Concedi entrevistas também a programas televisivos, como “Mais Você” com a apresentadora Ana Maria Braga, entre outros na Gazeta, Band e outras emissoras. A cada uma dessas entrevistas, sempre dizia que o meu sonho era trabalhar com crianças em tempo integral.
Abrindo mão de tudo pelas crianças
Então, o pastor Márcio Valadão leu uma dessas entrevistas e me convidou para trabalhar com a igreja em tempo integral. Com a proposta, abandonei o meu cargo na empresa, para dedicar todo o meu tempo às crianças. O desafio que assumi foi para um salário muito diferente do que tinha como executivo, por isso, tornou-se como um exercício de fé. E não foi só o salário, a questão envolvia mudança de igreja, escola, cidade e estado. Como nascer de novo no lugar. Os primeiros anos foram difíceis, mas entendemos que BH era a nossa terra.
E o curioso é que foi tão tremendo o meu chamado, que o pastor Márcio não me convidou para ser o pastor das crianças da Lagoinha, mas para exercer exatamente o que fazia em São Paulo. Continuei fazendo visitas a orfanatos, comunidades, escolas e abrigos. Foi aí que após dez meses na capital mineira, a Lagoinha adquiriu a Rede Super de Televisão e me chamou para fazer um programa infantil. Para quem não conhece o “Tio Uli e os Bonecos”, pode pensar que se trata apenas de um programa de TV, mas na verdade é mais uma iniciativa para alcançar as crianças fora da igreja. Muita criança não convertida me assiste, não apenas elas, como também os pais.
É muito comum andar na rua e uma pessoa me reconhecer pelo programa e ao falar com ela, vejo que não é cristã. Se você observar o conteúdo, verá que é evangelismo puro. A TV por si só já virou um ministério, porque o pai me liga dizendo que o filho está no hospital e que gosta muito de assistir o ‘Tio Uli e seus bonecos’. Quando faço a visita, não apenas a criança, mas todas no hospital recebem a minha visitinha, porque a enfermeira, ou o médico me reconhece e pede para passar em cada um dos quartos. Fora a televisão, a minha esposa, minhas duas filhas e eu trabalhamos em favelas, hospitais e escolas, inclusive minhas filhas foram adotadas após essas visitas que fazíamos nas comunidades.
Já faz 28 anos que trabalho com crianças, e sempre recebo uma proposta indecente para voltar para o meu trabalho como executivo, mas isso em nenhum momento me fez pensar em deixá-las, porque já tenho o melhor ‘emprego’ do mundo”.
:: Ulisses Spagiari conhecido como Tio Uli
Texto: Érica Fernandes
Fonte: www.lagoinha.com
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